Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Nova Aba

Agora escrevo em www.kolagens.wordpress.com

abraço a todos

Renato Flief

Quinta-feira, Novembro 06, 2008

Oxigênio



E se eu não puder fixar os estigmas corretos?
Cansado da autodestruição sistêmica
Saltei do trem no surto perfeito de separação
OXIGÊNIO

Ibuprofeno 200mg




Poesia pontiaguda (desafinada)
Ainda me recordo do som
Dos cacos e fragmentos (dentro)
Complementos alimentares
Vida in vitro (algum ser)

Auto-ajuda nos altos das estantes
E nenhum instante pra pensar
Causa? Somente soluções

A cidade adormece no estado cansado
O passado carregado nas costas dormentes
Nenhum futuro é possível dentro desse ovo

Volto a estar na garagem
E ouço gritos distantes
Volto a ser embalagem
Ibuprofeno 200mg

Engrenagem vital
Aos olhos abertos
Nenhum sono ancora
Esqueço

Segunda-feira, Outubro 27, 2008

AG

Ainda acima,
Dê um dos olhos
Palavras

Apontando a estima
De achar expressão
Na ponta da dimensionada
Realidade

Rosno como animal que sou
Despedaço-me como fragmento
Que sou

Talvez um limite do silêncio
Na porta fechada (boca)
No sabor do que pode custar
As vozes sempre vêm
Antes mesmo da ação

E na hora solitária do sono
Todos gritam como naipes
Medíocres contas de ganho
O melhor sempre vence
Porque simplesmente
Quer ganhar.

Terça-feira, Agosto 26, 2008

Lado




Quantos litros de água uma árvore pode beber?
E mesmo assim quando chove, pode ela misturar
Suas lágrimas as da chuva? Ou a chuva que mistura
Sua tristeza e seus suspiros à dança das àrvores?
E quanto tempo gasto, quando tempo algum se passa
Nenhum momento, apenas a eternidade do instante

Sábado, Junho 07, 2008

Indefinição



Eis que não me movo
Um milímetro de hesitação

Acima das colinas irrespiráveis
Podia sentir meu ombro
Também sentia
Um punho dentro dele

E ainda não movo
Um milímetro de posição

Acima dos que não sentem
Me senti tão especial
Tão espacial
Todo espaço necessário
É meu
Humano

Tudo passa primeiro pelas sombras
Pelas sobras, pelos meus olhos egoístas
Depois verei paisagens que realmente me
Fascinarão

Quarta-feira, Junho 04, 2008

Espessura do Momento



E você está no ponto
Com espessura de um momento
Exato cargo de uma dimensão
Que não se mede, mas cabe
Falsa na palma de uma mão
Fechada

E não há cheiro que cale
Suas sensações
Sadias ou não
Não há nomes
Não há

Estática
Estático
Você
De vidro
De vida
Vitrola

Domingo, Abril 27, 2008

Carbono



Perdido na areia
Encontro-me
Com o eu
Que às vezes
Mescla-se comigo

Nas ordens que não executo
Vestido como um monólito

Eu sou de areia
Eu sou de mim

Nos sonhos que tenho
Num piscar de olhos
Os olhos esquecem
Que às vezes sou
Feito de nada

E tudo me toma
Sendo sempre
Imperceptível
Na ausência por segundos
Mesclo-me a mim mesmo

Quinta-feira, Abril 24, 2008

Asas Assim



Então esperei
Como se espera
Um pôr-do-sol

E me vi ansioso
Como se te visse
Pela primeira vez

Descobri que os pedaços
Jamais se despedaçaram
Porque sempre foram assim
Apenas um
Como duas asas

Terça-feira, Abril 22, 2008

Birth




No momento em que não vires mais a luz, saberá que ela existe
Correndo em ti, de ti, para ti, para todos os lados
Então não há resposta alguma.
De dentro das entranhas
Mas não a carne
As entradas que realmente nos fazem vivos
Saem, sentem, sobram, dividem, compartilham

Quando não houver mais a dúvida
Talvez haja a real paz
Quando houver a respiração
Haja depois da latência
A respiração por cada poro
Penetrando as chamas
Queimando toda impaciência

Fecha-te profundamente
Entenda que estão ali
As nuvens da estrela morta
E você vai amanhecer são

E tudo
Passará rápido
Suavemente pelas mãos
Macio, brilhante
Renasce
Respira
Renasça

Domingo, Abril 20, 2008

A Soma



A partir de duas estrelas
Fui nascido
Meus olhos tiveram
Naquele momento
Acordo
Que eram olhos

De um momento
Mórfico
Minha consciência
Teve existência

A soma de dois corpos
É a exata forma do ser
A diferença entre opostos
É razão de ser o próximo

Colidir
Meu corpo
Ao teu
Informa-se
Não combate
Forma-se sim
Um só

Sábado, Abril 19, 2008

Semântica Espacial



Fui até a órbita
Ao fluxo dos anseios
Sorrindo as atmosferas dos sonhos

A frágil presença torna-se estável
Cada vez que respiro
Eu esqueço do ar
Pois ele entra
Passando a ser parte
Do que eu já sou

Semáforos brilham
Mesmo a luz do dia
E vejo todos a minha frente
Verdes
Eu vi o melhor caminho
Eu me vi melhor
Quando vi você

Lucidez III




Assim sinto
Alheio
Um letreiro em branco
Movendo-se com um vento
Indiferente ao meu peso

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Couple Lasac




Ao desacelerar nossos batimentos
Descompassá-los
Houveram os primeiros tremores
Deformando nossos rostos com a beleza
Incondicional (coma)
A realidade solveu-se em gotas de veneno
Na cristalina água que bebemos
Conectados por fios (invisíveis?)
Precisamos sempre ver
Mas mesmo importa?
Precisamos sempre saber
Mas mesmo importa?
Precisamos sempre descrever
Mas mesmo importa?
Caminhar na linha, na segurança
No compasso rítmico e equivalente
O compasso sempre tende em
Um três
Em um quarto
Sempre tende a soma
Dos dois imperfeitos
Sempre estarem ligados

Ocean Onaeco




E quanto mais olhava mais confundia meus olhos
Ofuscavam-se e davam voltas em círculos perfeitos
Meu horizonte esmaecia e tornava-se perto, perto, perto
Via-o embaçar como um vidro perto do rosto
Olhando a paisagem do lado de fora da percepção
Conte-me um desejo, tenho todos que quiser
Conte-me sobre os navios
Eu terei gosto nas mãos
Leve-me daqui, leve-me da escuridão
Quando os corpos tocarem as águas
Saberão que todo oceano brilha
Como um espelho demasiado a ligar-se
Nenhum corpo nada vazio
Toda recuperação é, e será sentida
Não fuja meu amigo
Eu tenho cócegas nas mãos
E os choques, quem sabe
Cada vez que tento vê-las nos meus sonhos
Mas não me preocupo mais se sonho ou se brilho
É como se tudo se tornasse a mesma coisa
Eu vi a superfície aonde as nuvens se debruçam
E nos olham, eu vi todas elas
E nunca mais esquecerei
Como se tudo se conectasse
Eu vi tudo brilhar num imenso
Amar

Terça-feira, Abril 15, 2008

Nightmare, sometimes




Estava eu em uma sala, mas me observava, em vezes atuava em vezes apenas me assistia. Cheguei neste lugar após uma curta viagem de carro, com três pessoas familiares em seus rostos e reconfortantes presenças, eram estranhos e amigos. Sentado em um sofá de couro muito velho eu sabia porque estava lá mas não queria me contar, eu via as peças se encaixando, e deixava até que tivesse que agir. Diagnóstico, dizia uma enfermeira ou o que eu supunha ser, demência, esquizofrenia e outros traços, as peças começavam a se encaixar, mas eu passava a não entender, em ambos os pontos. Antes de ser chamado um senhor ao meu lado lia um jornal com cores diminutas, a sala inteira a nossa volta era desbotada e mal cheirosa, cheirava a cigarros e a mofo. Ele me olhava constantemente até que eu decidi brincar com ele, me fazendo de louco até realmente assustá-lo, amassei sei jornal e gritei um pouco, após essa cena infantil chamaram meu nome, chamaram meu nome, eu dizia. Fui levado a essa sala e após isso em uma ante-sala, as moças em branco pareciam calmas, eram duas, eram suaves mas tinham em seus corpos uma decisão não minha, alguma coisa encoberta a omitir-me, e tinham. Diziam que tudo ficaria bem era só eu ficar calmo, ficar calmo? O que estava acontecendo, eu não era louco e não tinha o que fazer ali, tentei me esquivar dela numa outra sala dizendo que queria ir ao banheiro, nessa sala de uns 3x7m eu via o lado de fora encostei minha mão por praxe para mijar e tomei um tremendo choque, o guarda ao meu lado protegendo uma porta pareceu não se importar, voltei meio que forçado a ante-sala e a enfermeira me virou de costas e pediu para abrir os braços e fechar os olhos, comeu a gritar algumas coisas estranhas e tentou começar a cortar minha mão direita no momento q a lâmina me tocou num movimento rápido virei-me e tomei sua faca, e ela por instinto ou medo começou a gritar em um desespero quase doentio, uma daquelas três pessoas me acompanhava na sala, ela sabia que eu não tinha nada, e sabia que eu não devia estar ali, olhou-me nos olhos, tomou-me a faca e virou-se de costas, eu sabia, dê o fora daqui, eu sabia, com meus trajes de paciente corri pelas portas, correndo eu precisava sair, na ultima porta , uma sala vazia, mais uma porta, o céu negro me aguardava, o gosto da noite, eu sabia, estava livre, e nunca mais tornaria a voltar.

Terça-feira, Abril 01, 2008

Rua da Praia



Eu vi antenas nos seios da multidão
Amores em wi-fi
Vertigens do sol da manhã
Medalhas inseridas
Entres os prédios
O sol que brilha telescópico


Os rostos desviando dos rostos
Rostos
Rosto
Rost
Ros
Ro
R


Desviando das malhas
Sem toque
Sentindo a falta
De tudo

Terça-feira, Março 25, 2008

Fairy Wings


Mesmo na turbulência
Ela ainda podia voar
E ser tão linda

Eu podia ouvir sua respiração brilhar
Lembrando uma adocicada presença
Subindo com suas asas invisíveis
Sob qualquer tempestade

Seus olhos magníficos
Acalmam minhas mãos
Contorno-os
Como se soubesse
Exatamente o pensam

Ela desliza suave
Na minha congestão
Uma maçã, e que olhos!

Com a pele
Mais preciosa
Meu corpo respira-te
No teu
Simples
Bater
De asas

Fairy Eyes




E na pergunta mais pálida do dia cinza
Eu vi as luzes acenando libidinosas com frescor
Limpei meu rosto umedecido pela chuva tímida
E despi meu coração de ferro macio
Eu pareço ter muito mais tempo
Mas esse é o tempo exato da canção

Das manhãs que temi me condenar
Não tenho mais o medo me segurando
Tenho teu rosto suave na próxima edição
Nas melodias suaves de abril

Eu contei trinta segundos
Quando os anjos te trarão pra mim

Mas o irregular solo da minha voz
Que em vezes é áspero como
Cacos de vidro (dementes)

Mas veja, eu tenho a cor
Que ilumina teus olhos
E teus olhos refletem
Somente
Minhas melhores ações

Intensidade


Imagem por:

Tom Montoya - Movement Of Secret Dancers


Atrás das cortinas
O ferro derrete
E as mãos sombreiam

O vento suave distrai o rosto
Mas do o que mais você que ouvir?
Meus passos doem e as calçadas me engolem
Eu sou suave ponto de demolição

Eu vi os riscos no vidro quando a chuva
Começou a cair
Eu criei os padrões dos gostos
Desmanchados
A escuridão crê
Mas a luz impede o entendimento
Eu sei
Que sorriso

Correndo como a crina
De um cavalo sem asas
Eu sei
Eu corro demais
Meus pés doem
Deixe me aqui
Eu vou sorrir

Terça-feira, Dezembro 11, 2007

Since The Last Dream



Às vezes acho que não sonho. Seco-me depressa demais do líquido da qual fico imerso quando meus olhos fecham, quando meus olhos realmente abrem. Desde o ultimo sonho ouvi a chuva deixando-se cair sobre tudo que imagino quando acordado, me mesclo com as cores dos cheiros das flores suspensas diante dos meus olhos, me desligo de toda legitima pressão da respiração continua da qual em vezes me afoga, na multidão que me espreme, que me expressa somente sua dor, me deixe sua dor, sou esponja, deixa este líquido ruim, que deixarei-te limpo, esqueça dos problemas, a vida funciona melhor imersa na ausência dos sons, respira, relaxa, desperta.





Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Next Dream

Nas figuras familiares e nas lembranças apenas tangenciais de realidade, me vi num sonho, trabalhava como cobrador num dos tubos do bi-articulado aqui em Curitiba, como mencionei, as formas eram similares com as que vejo todos os dias, mas em uma concepção diferente. Me preparava para encerrar meu expediente, quando percebi que me faltava quinze reais do meu caixa, recontei e percebi que ao invés de uma nota de dez e uma de cinco havia duas cartas de baralho, não recordo os naipes, mas me fez congelar em um medo inato de se sentir, debrucei-me sobre minha realidade e desapareci. Encontrei um grande amigo a qual me falou que estava vindo a cidade, tenho vaga lembrança, mas se não me erra me disse que conhecia o autor de um livro da qual vi fora da realidade sonho, fomos a sua casa e falamos sobre Leminski até eu despertar.

Domingo, Novembro 18, 2007

SIlent Bob


Nas ranhuras do nosso encontro
Parece que nos perdemos
Nos teus contornos frios
Encontrei um abismo malhado

O asfalto manchado
Com tua partida brusca
Agora

Se limpa com uma chuva
Insegura do que faz
Caindo
Apagando as marcas

Do dia que te encontrei
Até o dia que te vi sem vida
Consigo lembrar
Somente alguns passos

Quarta-feira, Outubro 17, 2007

Primavera no Irac



All we are saying is, give peace a chance...

Se as rosas, as rosas vermelhas
Realmente sangram os jardins
Com suas cores e não-cores
Seus perfumes

Importam-se com os pigmentos
As flores, com seus feitios e rostos
Organizados perfumes
Seus perfumes

Laterais as cicatrizes
Que se abrem em terra macia
Os jardins sangram jasmins
Com seus perfumes
Verde, e branco, e detalhes
Insetos com seus perfumes

Os cheiros, cheiros que a terra tem
Do seu sangue correndo, brotando
Oh movimentoo de sangue
Sacia esse gosto de sangue
Exala teus perfumes
Nestes insetos sem asas

Planta tua carne
Mortalha
Cansada
Perfume
Canalha
Inspira
Vermelha

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Confortoo



Quando as cores do céu imitarem o cinza da dúvida
Saiba que minhas cores estarão suaves contigo
E quando a tempestade passar (se realmente existir)
O azul choverá do céu, límpido como meus sentimentos

Tenha luz no teu caminho, meu girassol
Não deixe o metálico envolto te manchar
Aguardo a cada respiração
Momento de não mais me desprender
Do teu coração de flor
Estou invisível, visivelmente sempre contigo
Amo-te, protejo-te aguardo-te

Sexta-feira, Agosto 31, 2007

Olhos Fechados



Em algum lugar
Eu já fui
Em algum lugar eu serei

Sem acima ou abaixo
Talvez um rei
Ou minha alma em uma explicação
Que não foi pensada hoje

As toneladas que carrego
Não pesam nada
Até meus olhos fecharem

Realmente estou acordado
Quando meus olhos estão fechados...

Sexta-feira, Agosto 03, 2007

A Visão Estática da Multidão




As maçãs de agosto
Caem de suas árvoes inquietas
E me despertam em um movimento
Ancioso.

Preencho minhas perguntas
Com respostas suspirosas
Denomino minhas limitações invisíveis
Em minhas palavras mudas.

Minha pele inflamada
Neste calor sem sentido
Neste inverno não-frio

Eu vejo mais que você?
Ou quero ver mais?

Quinta-feira, Junho 28, 2007

Vozes e sons 1 (Colagem)



Vozes e Sons:

  • Jeff Buckley
  • Pink Floyd
  • Mutantes
  • Bjork
  • Morphine
  • Massive Attack
  • Jimi Hendrix
  • Tool
  • A perfect Circle
  • Joy Division
Poema dos sons e das vozes

Suas vozes e sons misturam-se aos meus (atos)
Ações de ônibus e espera nos tubos
Nossa sintonia talvez não seja conhecida
Mas é sentida (cada dia) pela minha pulsação

Retratos 2


Sinto como se tivesse um cansaço
De cem anos

-Noite, faça por mim...
descanso

O dia que
Me faz cansaço

Adormece

Quarta-feira, Junho 27, 2007

Retratos 1



Do homem que deixei para trás
Ficou sentado
O homem com rosto indeciso
Ficou para trás
(fábrica de esquecimento)

Do homem que sou agora

Mesmo sentado
Sou em todo
Movimentoo



Sexta-feira, Junho 22, 2007

Poema/sonho



E as nuvens desenharam asas por entre os prédios
e ouvi canções num ar de respirações douradas
eu vi anjos correndo num céu tão azul que seus rastros
desapareciam como faixas de áudio em fade out

Comprei passagens em divisões vermelhas
e vim até aqui, com sonhos esquecidos
lembranças primas, indivisíveis

Espermas quentes corriam na terra
solidificando menções que nunca entenderei (agora)

Uma última vez me seguro firme
na sua voz, nos teus olhos de cisne

Suave
respiração
suave
respira
ação

Quinta-feira, Junho 14, 2007

Infinitos sotinifnI



Somos dados jogados em uma mesa
De formas tangenciais ao destino
Somos dados jogados
De lados infinitos

Terça-feira, Junho 12, 2007

Resumo do Dia



No céu rastros de nuvens artificiais
Mesclando-se com azuis celestiais
Rastros de naves espaciais

Seus olhos
Fechados
Diamantes frios

Ele caminha na sua direção
Não vê os pássaros cantando
Mas ouve suas vozes dizendo
Que o entardecer está chegando

Seus olhos fechados
Vieram assim
Mas o vento da noite
A textura do vento
Diz que é perto

Cento e cinqüenta passos
Até chegar em casa
E descançar nos teus braços

Sábado, Maio 19, 2007

Laís



Nomes e palavras I



Thomas - mofo
Cirion - piano
Vinicius - brando
Bruna - pragmática
Allan - saudades
Laís - sangüineo


Teu cheiro e o mofo me tomam horas

Lembram-me aquele solo de piano

Brando.

Pragmática lembrança (sólida)

Saudades.

Sanguíneo desencontro, afinidade

Todas as horas movidas

Cintilam onde morariam, onde...

Vínculos ímpares, cílios usados

Brumas na manhã austral

Alimento as lâminas


Colhendo palavras.

Quarta-feira, Maio 16, 2007

Poemas Visuais I & II




I

Atrásdosarrastos
Atraçõesnecessárias
Conexõesimparespermitem
Muitomaisproximidadecom
Aproximalinhaembranco

Morrosqueoconcretoeovidro
Escolheramporpressãoocultar
Entendoquesuasvozesmisturamse
Comasnossascançõeshumanas
Maisumalinhaembranco

Mudaráaatençãodoproposto
Poemaligadoaoverboeacanção
Ritmoocultoentrevírgulas
Quenãoexistemaqui
Naslinhasquedeixoonipotente
Embeancosinaisdenãológica

Nãoéosentidoquecopulacomarazão
Éarazãoquecopulacomosentido


II

Acabodeterumsonhofrasesembrancodiziam
Vocênãopodeseroutroestápresonestapequena
Eternidadeternidadeeternidadeeternidade

Semseqüêncialógicaosonhotermina
Semsaídaeminhacontinuação
Sefoicomochuvaquesouaqui
Seiqueoquetocojátocaste

Quemdosolhosabertostêm
Sabeoqueénãonascer
Pontofinalnaestação

Opoemaseperdeassimcomoopoetaensurdece

Sonhofeitodetristezadeveogostoapenas
Aoesquecimentooabismodaseparação

Eunãoesperopenaquandopartirsóminhasasas
Seiopesoquetenhominhasmãosfazendonoazul
Elassabemsorrirmagrasexpressões

Sãominhasilusõesdepadrõesdeamanhã
Ficarbeméprioridadenaminhalocomoção

Domingo, Maio 13, 2007



Ao fato de todo dia ser um
Significando unicamente sentir
Teus cristais são giros que os sóis
Flutuam em si

Me fascina, tua singularidade
Como a primeira vez que ouvi tua voz
Uma canção (particularmente suave)

Ao fim de Novembro
O início da nossa estação
Ao frio que sentia
E que agora já não mais
Me lembro

Eternidade

Eu vejo fantasmas
No azulejos do banheiro
Me sinto tão bem
Por estar perto
O tempo inteiro

Teu gosto
De final de Maio
Me acalma

Feliz

Quinta-feira, Maio 03, 2007

Cidade



Todo senso se foi
Feito chuva de verão
Vejo rostos em toda parte
Mas nao vejo que parte
Não entendo, dos rostos que vejo

Toda distância imaginária
Deforma a sencibilidade do real
E todo esse silêncio
Dentre tantos sons

A cidade canta
Emudece suas células
Dentro dos ônibus
Vermelhos, correndo

A dança não tem música
Movimento de repetição
A rotina encanta o decepcionado
Faz da vítima um passo da validade

As âmbulancias cantam
A cidade grita e as pessoas
Se calam

Sexta-feira, Abril 06, 2007

Dias saiD



Imagem by Alex Grey

Cada dia mais próximo
Sem contar os dias
Cada um têm seu tempo
Métrica minha de ternura

Abri a janela, ouvi o canto dos pássaros
Vi teu rosto iluminando a manhã

Cada dia mais próximo
E não é uma lembrança
É como caminhar na tua direção
Cada vez que respiro
Denuncio afetuosa reação
Que a tua vida faz em mim
Quem o teu sorriso faz por mim

Cada dia mais próximo
Até o dia sem separação
A eternidade traduzida sem palavras
Descrita no suave conforto dos teus braços

Quinta-feira, Abril 05, 2007

Resíduos



Ansiaste pelos teus limites
Tuas próprias asas de anjo
Cortaste, abdicando do vôo

Procuras algum ponto no infinito
Forçando os pés ao tropeço
Ao esquecimento do momento

Almejaste a canção mais bela
Construiu a expressão, a antena
Forçaste a garganta ao silêncio
E a vida resumida em uma explosão

Eu tenho teus olhos e tua respiração
Vi teus pés marchando contra o inimigo
Agora vejo tua propaganda anêmica em rendição

Carbônico ser de sufocação
Larga tua arma, afina teu violão
Acha a nota que diz que não existe paraíso
Se continuar jogando tuas crianças de um precipício

Eco, eco, eco, ecos...

Segunda-feira, Março 26, 2007

AMIzade



à amiga, Marina

Eu li
A expressão
No teu rosto

Lentes castanhas

Fotografia monossilábica

Afeição

Também, são seus olhos...
É difícil ver o que você vê

Fácil é sentir

Quarta-feira, Março 21, 2007

Se tu inventar um jeito de me matar através de poesia



Se eu inventasse uma maneira
De matar você através da poesia
Que gosto teria esse sangue imaginário?

Iria minha alma presa
Por tempo indeterminado?
Seriam confiscadas minhas idéias
Interrogadas as minhas vozes?

FALEM! ME DIGA!
QUEM PLANEJOU?
QUE TIPO DE MORTE É ESTA?

Rimas de facas e feridas
Mas qual superfície resistiria?
Que dúvida seria precisa em acertar
O local lisérgico de tal execução?

Meus álibis e minhas
Metafóricas testemunhas
Sou assassino, confesso
Mas como matar com poesia?

Terça-feira, Março 20, 2007

Amoureux embrassant dans la pluie



Como os amantes que se beijam na chuva
E desesperam os cheiros entre peles
Por toques

Ouvi tua respiração rara
Senti tua atenção clara

Desnuda tua boca
Inunda minha tarde oblíqua

Na minha imaginação navegam lembranças
Com traços precisos de hortelã
Eu quis qualquer canção pra lembrar
Mas o instante estava ali, a flutuar

Como posso eu despir-me em inúteis palavras?
Quando nenhuma imitaria a do teu gosto
Exposto aos toques dos teus dedos curiosos
E a chuva com seu perfume animado dança

Descubro no silêncio tua voz
Que diz coisas absolutas sobre nós
Cobrindo meu silêncio com tintas
Pintando um quadro semântico

Eu vi antes das cores o momento
E cobri-me dele
Cobri-me de ti
Sem que a chuva parasse
Sem que qualquer música tocasse
Lembranças

Sexta-feira, Março 16, 2007

A Caverna e o Céu



Como se eu chorasse facas
Eu temi
Correndo adentro ao fim
Senti o frio das grades me tocarem

Vi a luz da caverna de Platão
E vi a canção no ar
Réquiem suave
Seus rastros no ar

Danço na borda
Num relicário
Comido por cupins

Como se chorasse teu nome
Em traços organizados
Desfiz as letras
Refiz a lembrança

Quarta-feira, Março 14, 2007

As Vozes e as Verigens



Esfuziados
Os ouvidos ergueram
De proas invisíveis
Suas ancoras
Deste líquido
Audível

Temendo a navegação estática
Marinheiro das vozes interiores
Refugia no silêncio sua voz plana
Cor de tinta

Que resistência ter sobre tais ácidos?
Embarcações e borboletas
No meu estomago infantil e preocupado

Digo
Que
A semente
Brota das entranhas
Macias da minha mão

Perdendo o ritmo para um desvio vão
O tempo não volta daqui
Mas me direciona em um ponto evidente
Com seu vento preciso

Quase posso ouvir o bater suave do teu coração
Próxima sala
Próximo instante
Respiração

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Eu tive um sonho, e não achava palavras pra ele

Elucidação
Um ato qualquer
Que me permite

Medito

Descontrolo os dedos
E ouço as manchas
Na pele do jaguar

A voz que ouço
Intraduzível
Intransponível
Barreira

Dentro
Fora

Minhas lembranças se perdem
Na navalha fina das palavras
Que não cabem na boca
Que obrigam o silêncio

Desintegração

Terça-feira, Fevereiro 20, 2007

Sementes Sdees

E as vozes que me regem tão impaciente
Se calam

Minha espera é neutra
A água umedece meu solo
Alimenta minhas sementes

Vejo crescer das minhas entranhas
Diamantes

Dançando
Devolvendo meu
Movimentoo

A primavera chega na minha
Pele

Rosas.

Domingo, Janeiro 28, 2007

Movimentoome



Ac...orde
Ac...ordes
(vozes)

Acordei circunscrito no não-espaço
Nenhuma dor, sem lembrança
Cego aos rostos, não via corpos
Era uma engrenagem invisível

Nadando elíptico, respirando em espiral
Ouvindo todas vozes, todas estavam ali
Girando com suas cores infinitas
Peças, emoções, viveiros de movimentoo

Pela bruma
Pela existência
A vertigem de ser um ponto
Permite-me a vertigem de ser um todo

Eternidade sedadinretE (sonho dia 20/01/07)




Parte I

Dizimado pelas questões e pelas probabilidades, ele caiu. O peso da realidade tornava-se insustentável. No reflexivo espelho via atlas carregando o mundo nas costas, curvando-se para a realidade-monstro.
Recostou-se fortemente na cadeira do bar e pediu o seio da moça deitada no balcão, o garçom o questionou qual dos quatro ele queria, pediu por fim o que ninguém tivesse tido um pedaço ainda. Pela espera infinita da fome decidiu pedir um copo de urina quente e comer seu dedo anelar da segunda mão direita, deitou-se na mesa farpada e sem iluminação, aguardando a eternidade chegar.
Quando o seio, o dedo e a urina o fizeram satisfeito decidiu se sentar novamente, cossar seus olhos por dentro e arranhar alguém que passasse mais perto que alguns quilômetros. Montou uma guarda ofensiva e desiludida, queria despertar após ingerir tamanha carga de humanismo.
Quebrou uma de suas pernas inúteis e então caminhou até a porta mais distante pra sentir a dor qualificando sua carne de sangue que nem ao menos sabia se era sua. Cavou um pequeno buraco na sua garganta e tentou ouvir a voz interior, a eternidade não vai chegar, repetia sua voz interior, fadigada.
Deitou-se para dormir, e acordou com o coração descompassado, o lençol arranhado, o dia nascendo e nenhum sinal da eternidade.

Domingo, Janeiro 21, 2007

RadaR


O olho da respiração
Desola
O olho da desolação
Respira

A fortuna fria do furacão
Arrasta corpos para o céu
É fria
Desrespira

Confesso com mente alcoólatra
Que a pura chuva me satisfaz
Com os raios mentindo
(sobre o que, eu não sei)
Com os frios caindo nos olhos
Cegos dos (preencha-me)

Quem fica para essas palavras
Sem Pontos de interrogação
Sem perguntas
Pontos finais
Sem respiração

Sonho: Domingo 14 de janeiro 2007

Os passos me levaram até uma espécie de sala, cuja se faziam em sépia. A foto de um demônio nazi adormecido figurava a entrada, com seu rosto não-humano e austríaco.
Quando dentro desta pequena sala vi meu irmão, com sua silhueta germânica, como um alquimista em frente à um computador com quatro telas. Como se fosse um ritual de proteção (recordo-me do seu ritual destinava-se a usar o terceiro slot de memória), passava mouse sobre as quatro telas (que eram rostos) com uma ponteira em forma de chave (segundo ele para proteção). Suas roupas o acentuavam como um militar, sendo a tecnologia uma extensão da sua couraça humana.
Após ver isto despertei com o telefone tocando, alguém me dizia para desligar todas as televizões, atonito e confuso respondi ( como minha mãe costuma responder) com outra pergunta: “quais televizõe?” a voz respondeu fria: “todas”
senti meus olhos abrindo e ouvi meu coração batendo como os passos do espirito que corre à noite, pisando no meu sono, no meu descanso e brincando com o qu enão entendo. Ergui-me da cama; tomei água; adormeci.

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Ossos, Os Sós



Rene Magritte

Aproximo
Espaço
Opaco
Não-humano
Como um insight
Como a chuva e sua
Delicada fúria

Teu ser
Sobressai em contorno

Que palavras teriam gosto
Agora
Agosto
Em
Pausa
Em
Desrima
Anima
Animus

Pra corromper minha
Bipolaridade significativa
Minha arrogante carne
Minha mente de ossos
Ossos e ossos
Os sós.

Um Verme Nadando No Titicaca




Todos os anos
Cavando direção
Neste líquido amnésico
Esta imersão convexa
Rumo ao interior
Até a pressão infinita
Esmagado os resíduos
Formando diamantes
Do meu doce carbono

Como fecundar um óvulo
Num labirinto
Como um óvulo
Num labirinto
Fecundar

Essa imersão tem um cheiro
Um gosto, uma ação
Interpreto agora
O movimento
Como uma espiral
(palavra faltando na expressão momentânea)
Em direção ao infinito.

Domingo, Janeiro 07, 2007

Raízes Sanamuh



Hollow Earth

Ele dança uma dança que não é tua
com entranhas humanas e voz surda
como as corujas de Goya (gritando)
ergue da própria carne, um povo
o puro, irrespirável, ódio.

Seres simples e sedimentados
habitantes da troposfera
desta terra oca, invisível
e avessa.

Um momento em que deixaram
a alma abandoar os olhos
antes que desgostassem de si próprios.

Ver o açúcar, o farpado desnudo
o arame dividindo a razão,
golpeando, magna mater.

Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

Poema da Av. UHC



Humberto Gessinger

Presensa edificada
Fria
Planejada

Cuida da minha carne
Porque
Tua
Faz parte

Gotas de gelo
Gotas de olho
Estanques
Frias

A vida me come viva
Que gosto tenho
Pra me sentir
Fria...?

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

Tatu feilF


Só não consegui intender o que eu tava vendo!
Só me lembro que a imagem tava em movimento
E tinham dois "seres" interagindo...
Não deu pra entender nada!
Com o tempo eu aprendo a entender. eu acho!
Eu acho q o movimento tem a ver com a interação
Dois dois universos. o real e o "sonho"!
Predominava o vermelho ou algo perto disto!
Parecia um quadro se movimentando.
E uma textura ,dos seres, toda "esmagada".
Sei lá é difícil explicar deste lado...


Dream by Tatu